Hiper mortal

Paul Cézanne

Paul Cézanne

A vida humana finda numa hiperatividade mortal se dela for expulso todo elemento contemplativo.
— Nietzsche

O porvir se realiza

Antoine Cordet

Antoine Cordet

O mundo muda e o porvir é sempre em parte imprevisível. Todo porvir é vivido, pensado e imaginado no presente. Tão logo o porvir se realiza, ele cessa de ser “por vir”, é presente. E é assim também porque envelhecemos. As possibilidades de nossa juventude se fecharam, as realidades improváveis se atualizaram. Não nos tornamos inteiramente nem o que esperávamos, nem o que temíamos.
— Francis Wolff

Promessa de completude interior

Mauro Piva

Mauro Piva

A ideia de que a arte ajuda a nos reequilibrar emocionalmente talvez responda ao velho debate sobre as grandes diferenças de gosto estético das pessoas. Por que alguns gostam da arquitetura minimalista e outros da barroca? Por que alguns se entusiasmam com paredes de concreto nuas e outros com estampas florais? Nossos gostos dependerão do leque da nossa constituição emocional que fica à sombra e, portanto, precisa de estímulo e reforço. Toda obra de arte vem imbuída de certa atmosfera moral e psicológica: um quadro pode ser tranquilo ou agitado, arrojado ou cauteloso, modesto ou confiante, masculino ou feminino, burguês ou aristocrático, e a preferência por um ou por outro reflete lacunas psicológicas variadas. Queremos obras que compensem nossas fragilidades internas e nos ajudem a voltar a um meio-termo viável. Dizemos que uma obra é bela quando provê as virtudes que nos faltam e dizemos que é feia quando nos impõe temas ou estados de espírito que nos ameaçam ou já nos dominam. A arte promete a completude interior.
— Alain de Botton

Correnteza dos lugares-comuns

Hank Pitcher

Hank Pitcher

Uma ínfima correção do essencial importa mais que cem inovações suplementares. A única coisa realmente nova é a direção da correnteza que leva consigo os lugares-comuns.
— Raoul Vaneigem

Obra humana

Erika Verzutti

Erika Verzutti

Reencontro-me nas surpresas que me causo; e, por meio desses degraus sucessivos de meu silêncio, avanço em minha própria edificação; aproximo-me de tão exata correspondência entre meus desejos e minhas forças que tenho a impressão de haver feito da existência que me foi dada uma espécie de obra humana. De tanto construir, creio ter-me construído a mim mesmo.
— Paul Valéry

Atividade espiritual

Eduardo Climachauska

Eduardo Climachauska

Não lhe basta [à arte] o olho, porque a arte não é sentido, mas conhecimento e atividade espiritual.
— Benedetto Croce

Querer fazer-me

Nino Cais

Nino Cais

Se é no fazer que se reconhece a eticidade de um comportamento, a atividade artística é o lugar do fazer ético por excelência — onde sua autonomia de base permite uma interrogação permanente sobre o sentido de seus atos. Acima da exatidão técnica, existe uma exatidão moral: uma exatidão no realizar não tanto a própria função quanto o próprio dever, porque há um dever, e é o meu querer ser alguma coisa de diferente daquilo que de fato sou, o meu querer FAZER-ME com a mesma precisão com que a técnica mecânica faz um objeto. E esse querer ser é ainda um momento do meu ser, e precisamente aquele da minha individualidade ou personalidade, já que para os outros sou aquilo que sou, e aquele eu eidético, aquele meu querer ser, aquela minha intenção de ser de outro modo é a única parte de mim que me pertence exclusivamente.
— Giulio Carlo Argan

A suave narcose da arte

Rodrigo Torres

Rodrigo Torres

Quem é receptivo à influência da arte nunca a estima demasiadamente como fonte de prazer e consolo para a vida. A suave narcose em que nos induz a arte não consegue produzir mais que um passageiro alheamento às durezas da vida, não sendo forte o bastante para fazer esquecer a miséria real.
— Sigmund Freud

Os artistas são nossos irmãos

Estela Sokol

Estela Sokol

Ao artista não cabe menos do que revelar, para nós mesmos, quanta riqueza oculta nossa própria alma, que tomamos por vazio e nada. É a arte que revela ao público, ao outro, não o que ele é, mas o que ele pode ser. A arte não ensina a lição do que não poderia nunca ocorrer de outro modo, mas mostra que nossa subjetividade pode tornar-se diferente, pode desconhecer-se, e com ela o mundo. As paixões humanas podem levar os homens aonde eles não querem. Os artistas são nossos irmãos, mas irmãos desconhecidos. Eles nos apresentam ao que, em nós mesmos, desconhecemos, e assim nos elevam a alturas maiores da vida, livrando-nos do vazio e do nada. Para isso, devemos desejar não que os artistas sejam iguais a nós, mas que sejam sublimes.
— Francisco Bosco

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